Café 100% cearense: neta cria marca inspirada em avô centenário A professora Sâmia Nápoles, de 30 anos, estreou na Exposição Agropecuária e Industrial do Estado do Ceará (Expoece), nesta terça-feira (3), ao apresentar um café cultivado e produzido 100% em solo cearense. Há pouco mais de dois meses, ela, o marido e o pai criaram a marca Café Nápoles, baseada em conhecimento intergeracional.
O empreendimento foi inspirado pelo avô de Sâmia, conhecido como Chico Cravo, que morreu aos 100 anos, em 2023, e deixou para a família a missão de seguir no ramo ao qual dedicou toda a vida. Na Serra de Aratuba, em uma área de Mata Atlântica no Maciço de Baturité, a família produz um café de sombra 100% arábica, sem mistura de grãos, cultivado em sistema agroflorestal. ☕ LEIA TAMBÉM: Expoece tem exposição de animais, premiação, shows e mais; saiba o que esperar Quem é o brasileiro medalha de ouro na 'copa do mundo' de Física 🔎 O g1 visitou a Expoece na última semana para mostrar alguns destaques da feira.
A exposição segue até o dia 8 de novembro, no Parque de Exposições Governador César Cals, em Fortaleza. Esta é a 70ª edição do evento, que reúne espaço de negócios, exposição de animais, shows musicais, premiações e outras atrações. 'Café fez parte da minha vida' A professora Sâmia Nápoles, de 30 anos, estreou como expositora na Exposição Agropecuária e Industrial do Estado do Ceará (Expoece), nesta terça-feira (3).
Gabriela Feitosa/g1 CE Na feira, Sâmia expôs produtos feitos no sítio onde mora com a família, na Serra de Aratuba. Além do café, vendido em grãos e moído, ela também apresentou mel artesanal e biscoitos sabor café.
Segundo Sâmia, o café sempre esteve presente em sua trajetória. Foi com o avô Chico que ela aprendeu a plantar, colher, separar os grãos e executar outras etapas da produção.
“O meu avô trabalhava no terreno de outras pessoas. Se ele conseguisse duas latas de café, uma era do proprietário e uma era a dele.
Ele passou muito tempo trabalhando assim até conseguir as terras para plantar. Desde então, ele tinha muito café e só sabia vender o grão.
Recentemente, comecei a colocar o nosso café no mercado. Normalmente, o café do supermercado tem muitos aditivos.
Então, quero mostrar para as pessoas um café do interior, de qualidade, e que respeita o ecossistema da mata de Aratuba”, explicou a empreendedora ao g1. A ideia inicial partiu de Sâmia e do marido, Victor Nápoles, mas toda a família participa da produção.
O pai da professora trabalha há anos em cafezais e contribui com a experiência no cultivo. O café produzido no sítio cresce sob a sombra das árvores centenárias da serra.
Por isso, é classificado como café sombreado. “A gente planta, colhe, coloca em uma bacia com água para separar os grãos defeituosos, escolhe os melhores para torrar.
Também pilamos o café, tiramos a casca, colocamos no fogão a lenha. É tudo bem manual, tudo bem artesanal.
O café só é produzido uma vez ao ano. A colheita dura mais ou menos um mês.
Mas, para chegar à embalagem, leva cerca de três horas”, descreve Sâmia. Victor Nápoles, esposo de Sâmia e empreendedor.
Arquivo pessoal A família comercializa o produto em grãos e moído, em embalagens de 250g, 500g e 1kg. Também lançou uma versão de 80g, que rende aproximadamente sete xícaras.
Os preços variam de R$ 10 a R$ 30. Além do trabalho com o café, Sâmia está concluindo a graduação em Letras e já atua na área.
Ela afirma que a rotina está mais corrida, mas diz que vale a pena levar adiante o sonho do avô. “Somos jovens empreendedores do Maciço, levando a beleza e a qualidade dos produtos que o Maciço de Baturité, a Serra de Aratuba e o Ceará têm”, resume.
Mel de abelha nativa Empreendedora apresenta café artesanal e mel de abelha nativa. Gabriela Feitosa/g1 CE A família também comercializa mel de abelhas nativas criadas na propriedade.
O chamado mel de uruçu amarela, produzido por abelhas sem ferrão, foi exposto em embalagens de 30 ml e 40 ml, vendidas a R$ 5. “É um sistema bem agroflorestal, bem ecológico, porque a abelha vai polinizar o café e vice-versa.
A gente tem algumas colmeias na própria mata, no tronco de árvores. A gente tira o mel, tampa de volta com barro ou com o galho que ficou, e ela continua no mesmo habitat.
A abelha não sai do seu habitat. E ela fica no meio do cafezal, porque tem a função de polinizar o café.
Então, no nosso café também tem o trabalho das abelhas.” De acordo com a empreendedora, o cultivo do Café Nápoles é feito em sistema agroflorestal, com os cafeeiros integrados à vegetação e às árvores da propriedade. Conforme a página da marca, esse modelo de produção “valoriza a biodiversidade, proporciona sombra para os cafeeiros e contribui para a conservação do solo e do ambiente natural”.
O café está disponível em diferentes torras: clara, média e escura. “O Ceará tem tantas coisas boas que você não sabe, que você não conhece.
Então, Aratuba, o café, o mel produzido lá, nesse sistema agroflorestal, ecológico... Você vê a qualidade, você vê a potência do Ceará em produzir e também em levar isso adiante.
Quem sabe, futuramente, o café pode ir para outras regiões do Brasil”, concluiu Sâmia. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:


